20 novembro, 2010

18 novembro, 2010

inteiramente congelada

frio, entra em cada célula do nosso corpo com a sua presença bem marcada. podia aquecer-me á lareira e esperar que cada parte de mim se descongelasse, podia fazer com que a paralesia se desvanecesse. não, gosto dos extremos; sou inverno, sou verão, sou frio, sou calor. continuar a correr contra o vento com o nariz bem gelado, deixar que o calor da minha essência, do sol de inverno, da adrenalina e da loucura sejam os únicos que tomam conta de mim.
quero tudo o que tiveres, por inteiro.

portas abertas com as janelas fechadas

casa nova, paredes pintadas de fresco . é o cheiro intenso a tinta que se entranha na pele, é o querer explorar mas saber que não posso tocar em nada, com a consequência de deixar uma marca e estragar o que foi feito. é querer deitar-me no colchão novo, mas ter falta de mobília e portanto deitar-me no chão árduo, gelado. é abrir as janelas sem conseguir abrir as precianas.
vives trancada, até que um dia foges, sais á pressa. queres voltar e apercebes-te de que não tens chaves de casa.
porque há sempre alguma coisa que nos impede, porque ás vezes não há remédio para o que foi feito.

14 novembro, 2010

pensamentos enclausurados


a caneta trancreve os pensamentos, as abstracções, o inconcreto para o real, para o papel. tento imprimir a alma, tarefa árdua que se torna impossível. por muito que escreva fica sempre tanto por dizer, teria de inventar um novo idioma para que tudo se percebe-se. tudo flui; as palavras que aqui cuidadosamente publico são o meu retrato, o retrato do que vivo, do que aprendo, do que sei, do que ainda não sei, são o mapa da minha mente. eu quero ser uma Mulher, com "M" grande, quero um dia olhar para o que era e sentir orgulho, quero ter a sabedoria que agora não tenho. quero pensar no que escrevia e perceber a evolução. já pensei, em tempos, que sabia muita coisa, que sabia o que tinha e o que não tinha; hoje, sei que tudo tenho para descubrir. são pedaços de mim que arrasto para a folha em branco, que depressa ganha cor, sabor, vida.

mais um texto, das centenas que guardo no(s) meu(s) caderninho(s), ou nas minhas folhas soltas. este apeteceu-me partilhar.


12 novembro, 2010


bilhete de autocarro, ir para o meio do campo, festa com os amigos... qq coisa, mas ás vezes só apetece:

11 novembro, 2010

obviamente parvoíces de filipa




Começa doce. Leva-nos a conhecer o inesperado, a prever a surpresa, a abstrairmo-nos com o comum, e desejar o fruto proibido. Faz-nos pensar que chegamos ao fim do arco-íris, e melhor ainda ilude-nos de que tal coisa como o fim do arco-íris, existe. Não construímos castelos no ar… simplesmente todo o mundo passa a flutuar, e de repente as nuvens parecem um óptimo sítio onde deixar a nossa cabeça constantemente. Começa doce, até que enjoa. Passa a chuva, passa o sol, acaba-se o arco-íris; ficam as nuvens, cada vez mais cinzentas, e nós finalmente descemos á Terra. O fruto proibido passa a ser demasiado caro, e simplesmente contentamo-nos com a maçã podre que cai no chão, já nem nos damos ao trabalho de subir ao cimo da árvore.
Começa doce, até que se enjoa e muda de sabor.


07 novembro, 2010

raios de sol e o calor no inverno

passado, passou .
passou, mas levou consigo o meu abrigo, aquele que me protegia do frio, do vento, da erosão, das chuvas e temporais . fiquei nua, gelada e sujeita aos maiores ataques. furacão, o passado varre tudo o que alguma vez tivemos, á sua passagem; deixa a saudade, a doença que nos infecta. doença que só se manifesta com o tempo, tempo esse aliado ao passado, tempo esse, que também nos corroe.
há a primeira fase, em que tentamos reaver o que nos foi tirado. permanecemos ao frio, imóveis, á espera que o abrigo volte, como por magia, traduzido numa brisa.
aos poucos e poucos apercebemo-nos que a hipótese é muito remota, e só em casos muito especiais nos é traduzido o passado ao futuro. é aí que deixamos que a saudade nos abrace e nos aqueça, torna-se num cobertor e aos poucos e poucos vamos apanhando retalhos e construíndo um novo abrigo . é aí que entramos na segunda fase e deixamos que a saudade e o passado fiquem onde devem ficar, no antes, no foi . é aí que 'esquecemos' (:

04 novembro, 2010


fazes o meu mundo parar e o tempo congelar .
fazes do segundo a eternidade que não quero perder , fazes a minha essência estremecer .
7/2010

saudades disto :')

31 outubro, 2010

não vai, não entendo


"difícil não é lutar por aquilo que se quer, mas desistir daquilo que se ama"

alguém me explica ? chamem-lhe falta de maturidade, estupidez, ignorância, chamem-lhe o que quiserem mas não percebo . se se ama para quê desistir ? para quê parar de lutar ? eu não percebo honestamente, e para mim desistir, parar de tentar, é falhar . a sério que só queria perceber .

29 outubro, 2010

versos perdidos

o sonho ao colo,
o desejo na mão,
digo sim e com um beijo
ao teu triste e amargo não.

(e sim, poesia não é bem o meu forte xD)

25 outubro, 2010

silêncio, estou a dar em doida !

a melodia silênciou-se.
já não há harmonia, nem tão pouco compassos de espera. não há som, vibração, ruído que lhe valha. não danço, não canto, recuso-me. impressionante, mas ainda oiço a música, a nossa música.

23 outubro, 2010

doenças da alma

queria ser muda para não dizer o que não deve ser dito; surda para não ouvir os gritos da saudade, do arrependimento; cega para quem devia ser invisível; não ter gosto pelos sabores amargos ou azedos, saborear o doce, o picante; não sentir o que dói, nao sentir o frio que todo o quente arrefece; não sentir o cheiro do fracasso ou da desilusão.
mas e depois ? perdia os sentidos

22 outubro, 2010

“Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.”
Margarida Rebelo Pinto